A Portela, maior campeã do carnaval carioca e guardiã de uma das histórias mais respeitadas do samba, viveu um momento polêmico e para lá de delicado durante o desfile de domingo (15) na Sapucaí do Carnaval de 2026.
O que deveria ser um tributo à ancestralidade, à memória e à resistência negra acabou gerando uma onda de revolta nas redes sociais, após a circulação de vídeos que mostram integrantes da Velha Guarda sendo empurrados e colocados às pressas, à força, em um carro alegórico em movimento. Meu Deus!
A cena, considerada por muitos como chocante e desrespeitosa, extrapolou o erro técnico e se transformou em um grande debate sobre gestão, prioridades e o lugar da tradição dentro de uma escola que sempre se orgulhou de honrar seus mais velhos. Complicado!
As imagens que viralizaram mostram componentes da Velha Guarda (sambistas idosos, símbolos vivos da história da Portela) sendo conduzidos de forma brusca para o carro alegórico, já em deslocamento. Não se trata de um problema estético ou de cronometragem, o que se vê é a quebra de um pacto simbólico fundamental do samba, onde os mais velhos são tratados como pilares, e não como obstáculos logísticos.
No X, a reação foi imediata e indignada. "Desrespeito enorme, sendo que o problema do atraso do carro não foi da Velha Guarda. Agora tratar mal pessoas idosas, que são como grandes entidades dentro da escola, é muito feio", expressou um perfil. "Completo absurdo! Uma humilhação com os caras. Tô indignada!", escreveu outro. "Esse vídeo vai cair como uma bomba no mundo do samba. Revoltante", cravou outro.
Houve também manifestações mais duras, pedindo punições esportivas, rebaixamento da escola e críticas diretas à condução do desfile. A revolta de haters, foliões, sambistas e admiradores da própria Portela. Absurdo!
A Velha Guarda não é um adereço, nem um detalhe cênico. Trata-se de um segmento formado por sambistas que dedicaram décadas, muitas vezes uma vida inteira, à construção da identidade da escola. São eles os responsáveis por preservar repertórios, histórias, fundamentos e valores que não estão escritos em regulamentos, mas transmitidos de geração em geração.
Na Portela, essa dimensão é ainda mais sensível... A escola sempre foi associada à elegância, à disciplina, ao respeito às raízes e à força de sua Velha Guarda, reconhecida nacionalmente. Ver esses integrantes submetidos a uma situação de risco físico e simbólico atingiu em cheio a imagem de uma agremiação que carrega o título de “Majestade do Samba”.
Nos bastidores, a explicação técnica para o episódio passa por problemas no carro alegórico da Velha Guarda, que teria enfrentado atrasos e dificuldades de posicionamento durante a evolução. Em um desfile cada vez mais pressionado por tempo, cronograma rígido e julgamentos severos, a decisão operacional foi acelerar o embarque para evitar um prejuízo ainda maior no quesito evolução.
O problema é que a solução adotada ignorou um princípio básico: não se trata de qualquer ala. A tentativa de “corrigir” o atraso expôs justamente aqueles que deveriam ser os mais protegidos...
Poucas horas após a repercussão negativa, veio a confirmação de que o carnavalesco André Rodrigues pediu demissão do cargo. Embora a saída não tenha sido oficialmente atribuída apenas ao episódio da Velha Guarda, o contexto é incontornável. A imagem do desfile ficou profundamente marcada, e o desgaste interno e externo se tornou público e irreversível.